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“Bolsa-crack”

Ver ou presenciar um debate a respeito de temas da atualidade tem ocorrido com a mesma frequência que vemos 2 amigos conversando sobre o futebol de domingo em uma mesa de bar. Mas, ao contrário do bate-papo descontraído, muitas vezes as argumentações aparecem cercadas de achismos e incertezas, sem nenhum embasamento ou conhecimento verdadeiro sobre o assunto. Redes sociais são os locais preferidos para esses leigos manifestarem sua indignação e revolta como se possuíssem uma tese de doutorado com aquele foco. Quando na verdade se deixam levar pela opinião de uma maioria. Fotos acompanhadas de textos pseudo-revolucionários e filosofias de mesa de buteco tomam espaço no feed de notícias, cada vez mais sedentos por “curtidas” e compartilhamentos. O problema não é ser questionador, revolucionário ou contra o sistema mas, sim, ser tudo isso estando alheio ao assunto. E então, vamos ter argumentos?


“Bolsa-Crack”: Na última semana, o Governo de São Paulo anunciou o plano de ajuda financeira às famílias dos dependentes. No entanto, o dinheiro poderá ser usado somente para arcar com os custos da internação particular. Sem mesmo ler a reportagem completa, foram de novo, reclamar no Facebook. Pois bem, o benefício possui o objetivo de  ampliar a rede de tratamento para dependentes e, principalmente, a oferta de vagas para internar usuários, já que o serviço prestado pelo poder público é alvo de constantes críticas. “Não se trata de um prêmio ou de uma compensação para a família que tem em casa um viciado. Não! Já que o Estado brasileiro decidiu que a dependência química é uma doença e já que existe a urgência social de tratá-la, que se faça isso, então, de maneira organizada.” afirma Ronaldo Laranjeira, responsável pelo programa.
O brasileiro reclama por mania: primeiro quando  o governo não cumpre as leis e quando as cumpre há um descontentamento geral. Não é incomum vermos resoluções para o problema da criminalidade nas redes sociais. Poxa vida, amigo! Como não pensamos nisso antes? A complexidade da questão vai muito além do seu conhecimento sobre segurança pública. É necessário conhecer o assunto antes de apropriar-se da opinião alheia. Tenha opinião e seja crítico, mas formule argumentos válidos. Como bem disse David Borges: “Falta-nos bom senso. Mesmo que julguemos que já o possuímos em quantidade suficiente.”

Por: Inaê Odara

@inaeodara13

 

 

 

 

Renúncia do Papa

As pessoas as vezes se esquecem que a figura do Papa tem relevância por ser, talvez a última figura universal na humanidade. Digo isso pois, durante as exéquias de João Paulo II, chefes de Estado das mais diversas nacionalidades, EUA, França, China, Índia, África do Sul, compareceram. Não digo unanimidade, mas universalidade. É o peso da história. É clássico, nestes momentos, ver pessoas discutindo sem levar em consideração um arcabouço antropológico e histórico e até mesmo social do que é um Papa e sua relevância. Acho importante e válido o discurso à condenação da riqueza enquanto se prega a pobreza. Mas também é importante se separar o discurso religioso do discurso pseudo-doutrinário-religioso. Vejo a tentativa do discurso pseudo-revolucionário, que atacam a Igreja Católica, chamando-a de hipócrita, mas ao mesmo tempo não vêem a mesma hipocrisia por pregarem algo que jamais concretizarão. Os mesmos neo-intelectuais que se fagocitam na busca por ser o “mais revolucionário , o “mais questionador”, “mente aberta” e “contra o sistema” são os que hoje, com um anacronismo tosco, tecem seus comentários ácidos em relação à Igreja. A renúncia do Papa, humano antes de seu cargo e humano após ele, deve ser encarada com o respeito. Nem todo religioso é alienado, nem todo padre é pedófilo e nem todo pastor é ladrão.Tal qual nem todo aquele que se diz revolucionário o é. Afinal defender ideias do XIX, se não modernizadas, não passam de história. Um homem de 85 anos tem suas dificuldades físicas e dirigir uma instituição como a que ele dirige, com todas suas idiossincrasias é cansativo e extenuante  Respeito até pelo doutor em teologia, pelo homem, pelo ser humano de 85 anos que hoje renunciou ao Pontificado! E, acima disso, respeito a história que ele representa!

– Fabrício Costa

Sugestão de vídeo: “Entre Aspas” – Renúncia do Papa Bento XVI